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EQUALIZADOR GRÁFICO OU PARÁMETRICO?

Equalizador ele é amigo ou inimigo?

Ele pode ser um grande amigo realizando a correção do áudio, isto é, se você souber usá-lo ou pode tornar um grande inimigo causando-lhe uma grande dor de cabeça.

Muitos de vocês já devem ter ouvido falar do equalizador paramétrico ou equalizador gráfico. Qual é, então, a diferença entre ele e o gráfico e para que serve? Bom, de início, enquanto o gráfico pode ter até 31 bandas por canal, o paramétrico terá no máximo dez.


EQUALIZADOR GRÁFICO

Os equalizadores gráficos são aqueles cujo painel dianteiro nos oferece uma série ou duas de potenciômetros deslizantes (como os faders de uma mesa, porém muito mais próximos entre si para permitir que sejam agrupados 62 no painel de um aparelho com os 48,xx cm do padrão rack. Alguns fabricantes a título de economia oferecem modelos menos versáteis com apenas 31 que atuam por igual em ambos os canais. O termo "gráfico" aparece no nome, pois após efetuar a sua equalização, permitem que você tem uma idéia aproximada de como os filtros do aparelho estão alterando o som que recebem da sua mesa. Na verdade a grande maioria dos equalizadores gráficos acaba tendo uma curva de atuação diferente daquele esboçado pela posição dos potenciômetros no seu painel em função daquilo que acontece devido à interação dos filtros vizinhos e da largura de banda dos filtros controlados por cada potenciômetro que não morre rigidamente no filtro vizinho. Portanto o que se deve buscar não é um desenho bonito mas a posição dos potenciômetros que propicie o ajuste adequado ao seu som.

Mencionei equalizadores de 31 (as vezes 32) bandas de equalização que são os que dentro deste tipo de equalizadores gráficos oferecem os maior recursos de controle sendo portanto os que são empregados profissionalmente. Alguns fabricantes oferecem a título de uma flexibilidade (mínima) equalizadores com ainda menos bandas que ficam alojados logo acima dos controles Master de alguns modelos de suas mesas com o propósito de incrementar os seus recursos. O que ocorre, porém, é que embora isto possa até quebrar o galho, na verdade, qualquer tipo de equalização que não oferece o ajuste de largura dos filtros, como oferecem os paramétricos, acabará afetando freqüências vizinhas inocentes que não necessitam ser alteradas e obviamente quanto menor o número de bandas ao seu dispor, maior a largura de cada banda e consequentemente, maior a quantidade de freqüências inocentes afetadas. É mais ou menos como se alguém empregasse um machado para fazer um furo que deveria ser feito com uma broca de 2 mm. Perde se muita qualidade devido às freqüências inocentes que são também cortadas.

Vamos entender para que é que serve um equalizador. Existe um conceito errôneo de que os equalizadores corrigem a acústica das salas. Um equalizador pode até auxiliar um sistema de som a funcionar APESAR dos defeitos da sala porém nunca será capaz de corrigi-los. Na verdade as principais funções de um equalizador são as seguintes:

1. Acertar a resposta das caixas de som

Sim, por melhor que seja a procedência, mesmo caixas de bom pedigree chegam às mãos dos seus usuários com arestas que precisam ser podadas. Nos últimos anos, a tendência dos fabricantes produzirem caixas amplificadas tem permitido a inclusão de circuitos de equalização e alinhamento de sinal juntamente com os crossovers limitadores e amplificadores que compõem suas caixas, neste caso e o fabricante realmente implementou estes recursos em sua caixa amplificada, temos o que eu chamaria, tomando emprestado o termo da informática, um produto "plug and play" ou seja um equipamento que não requer ajustes para a otimização do seu som, no qual basta apenas plugar o cabo com a fonte de sinal e tocar.

2. Reduzir os efeitos do mau posicionamento de caixas e microfones impostas pelo ambiente

Muitas vezes os sistemas de som são operados em ambientes de forma temporária, como por exemplo quando faço a sonorização de um congresso. Nestas circunstâncias há muito pouco que se possa fazer para escapar da disposição imposta pelos salões. É nestas situações que o equalizador surge como um "quebra galho" auxiliando a abrandar as freqüências cuja energia é somada em pontos do palco devido ao emprego das caixas de som, as vezes dispostas nas laterais, e cujas somas ao serem captadas pelos microfones tornam o sistema mais propenso à microfonia.

Deve se observar que o emprego do equalizador realmente não passa de um paliativo nestes casos, pois com a existência de múltiplas fontes sonoras reproduzindo o mesmo som, estas somas e cancelamentos de energia ocorrerão por todo o auditório em função duma relação criada pelas distâncias entre as caixas e cada assento do auditório e os comprimentos de onda de cada uma das freqüências reproduzidas pelas caixas (exceção feita somente a uma estreita linha central ao longo da qual os ouvintes estão eqüidistantes de ambas as caixas). Portanto, se alguém me chama para equalizar um sistema como este, minha primeira pergunta é: Para que posição você deseja que o som fique bom?

Devo salientar que, a rigor, esta função de se resolver freqüências propensas à microfonia deve ser realizada pelo equalizador e não pela equalização dos canais que ficam livres para correções de vozes e instrumentos, destaques para realçar os mesmos dentro do mix e outros efeitos artísticos. Na prática, porém, a realidade dos ambientes sonorizados acaba muitas vezes nos exigindo sacrificar estas funções que melhorariam a qualidade do som, para atender à mais premente e rudimentar função de combate à microfonia.

3. Para ser justo existe uma aplicação em que o equalizador abranda (porém não corrige!) um dos efeitos da acústica sobre o som. Este emprego do equalizador tem a ver com as freqüências naturalmente reforçadas pela relação de dimensões da sala. Quando uma onda tem um comprimento que é um submultiplo da largura, comprimento ou altura de uma sala, esta freqüência acaba sendo reforçada - mesmo que haja uma única fonte sonora na sala e que não precisaria nem ser amplificada (a exemplo de um cantor de chuveiro que consegue gerar ondas estacionárias num banheiro). Neste caso em se tratando de um sistema de PA, o equalizador ajuda a cortar estas freqüências de modo que não sejam tão notadas na sala.

4. Por fim existe uma aplicação na qual um operador pode desejar cortar ou realçar parte do espectro do material de programa de modo a proporcionar uma equalização artística que otimize o som de sua banda.

EQUALIZADOR PARAMÉTRICO


Para começar, você precisa entender por quê este tipo de equipamento é chamado paramétrico. Vamos lá.

O Sinal Senoidal, o Paramétrico e os Filtros

O sinal senoidal, representação matemática da onda sonora, possui alguns parâmetros básicos: amplitude, freqüência, período, largura de banda. Veja a figura abaixo:

Parâmetros do Sinal Senoidal

Quando um equalizador qualquer atua no sinal senoidal, ele está agindo em um ou mais desses parâmetros. O equalizador paramétrico, então, tem a capacidade de atuar em três parâmetros simultaneamente, enquanto o gráfico atua somente em um. Essa é outra diferença fundamental entre eles.

Como nos gráficos, os paramétricos também são constituídos de filtros. Em geral possuem de três a dez filtros, todos eles com capacidade de atuação nos parâmetros amplitude (level), freqüência central (frequency) e largura de banda (bandwidth). Podem ser construídos com um ou dois canais.

Veja abaixo uma seção (filtro) de um equalizador paramétrico e suas funções:

Seção de um Equalizador Paramétrico

Vamos detalhar a função de cada parâmetro. Vem comigo.

Level ou Nível

Esse parâmetro atua sobre a amplitude do sinal senoidal. De modo semelhante ao que ocorre no equalizador gráfico, no paramétrico essa função nos permite atenuar ou reforçar o sinal que está sendo trabalhado naquele determinado filtro. O nível de atenuação ou reforço é especificado em dB.

Frequency ou Freqüência Central

Os filtros utilizados no equalizador paramétrico são do tipo passa-faixa. Esse tipo de filtro possui duas freqüências especiais, chamadas freqüências de corte, uma inferior e outra superior, que delimitam sua faixa de atuação. Como o nome sugere, esse filtro permite a passagem de toda a faixa de freqüência compreendida entre os limites inferior e superior. Esses limites são conhecidos como freqüência de corte inferior (fci) e freqüência de corte superior (fcs).

A freqüência central, então, é aquela que está no meio da faixa que o filtro manuseia.

O paramétrico permite, por meio da função freqüência central, que o usuário escolha exatamente a freqüência sobre a qual quer que o equalizador atue.

Bandwidth ou Largura de Banda

A largura de banda é dada pela diferença entre as freqüências de corte superior e inferior. Esse parâmetro informa a seletividade do filtro, demonstrando sua capacidade de atuar somente na freqüência que se quer ou agir também sobre as freqüências vizinhas.

A bandwidth é especificada em oitavas que podem variar de 0,03 a 2. Quanto menor for a largura de banda, maior será a capacidade do filtro de atuar na freqüência especificada sem atingir as vizinhas.

Para que serve?

O equalizador paramétrico é uma ferramenta poderosa para a correção de problemas de sonorização. Deixe-me dar um exemplo: imagine que você está “passando” o som de um evento quando o orador sobe ao palco para os ajustes de voz. Quando ele começa a falar você observa que, em função da dicção do orador, há um problema de puf (b, d e p rachando). Normalmente esse tipo de problema ocorre na região entre 80 e 100 Hz. Bom, você pensa: “vou atenuar essas freqüências no equalizador gráfico”. Você pode fazer isso, claro, mas alterará a resposta de todo o sistema, podendo prejudicar o restante do trabalho. Aí você diz: “Vou tentar corrigir o problema nos controles tonais da mesa”. Só que em função da faixa de atuação do filtro ser grande, você também vai alterar freqüências que não queria.

“O que é que vou fazer então?” Use um equalizador paramétrico, claro! Coloque-o insertado no canal do orador, posicione o controle de freqüência central em 90 Hz (no meio da faixa entre 80 e 100 Hz), ajuste a largura de banda de modo a abranger a faixa em questão e atenue o nível do sinal até corrigir o problema.

Veja, essa é apenas uma aplicação para o paramétrico... há muitas outras.

Aí você vai me perguntar: qual é, então, o melhor dos dois? Nenhum, vou responder. Cada um tem sua aplicação específica, cabendo a nós, operadores e técnicos, saber como e quando utilizá-los.

3 Responses so far.

  1. Anônimo says:

    - Parabéns pela postagem !..há tempos eu queria saber a diferença entre o EQ Gráfico e Parmétrico,valeu !!

    Eugenio (Louveira-SP)

  2. Anônimo says:

    Muito bom.

  3. Em relaçao a sua citação: Deve se observar que o emprego do equalizador realmente não passa de um paliativo nestes casos, pois com a existência de múltiplas fontes sonoras reproduzindo o mesmo som, estas somas e cancelamentos de energia ocorrerão por todo o auditório em função duma relação criada pelas distâncias entre as caixas e cada assento do auditório e os comprimentos de onda de cada uma das freqüências reproduzidas pelas caixas (exceção feita somente a uma estreita linha central ao longo da qual os ouvintes estão eqüidistantes de ambas as caixas). Portanto, se alguém me chama para equalizar um sistema como este, minha primeira pergunta é: Para que posição você deseja que o som fique bom?

    Devo destacar a seguinte: Portanto, se alguém me chama para equalizar um sistema como este, minha primeira pergunta é: Para que posição você deseja que o som fique bom?

    Em sonorizaçaõ não se deve fazer a leigos tal pergunta porque sempre haverá discordancia entre o profissinalismo do operador e a preferencia do ouvinte que no caso é totalmente dispensável por motivos óbvios. Deve-se tratar a amplitude e frequencias adequadas ao ambiente em que vai ser sonorizado e que não afete a saúde auditiva de todos presente ao evento.
    O som deve ficar bom em todo o ambiente e isso deve ser estudado com um analizador de espectro que vai te dar a curva linear do ambiente e as frequencias que serão tratadas em atenuação ou reforço.
    Em resumo: leigos são leigos certo? Parabens pela matéria e um grande abraço.


    Patropi

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